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01/11/16

António Henriques e a História de Cacilhas (5)


Apontamentos dispersos:

 No tempo das guerras liberais, Cacilhas foi teatro da última resistência das tropas do Duque da Terceira ao exército miguelista comandado por Teles Jordão que aqui encontrou a morte na refrega, em 1833. Há referências na bibliografia de interesse local, da existência de uma fortificação no morro situado por cima do actual Posto da Guarda-Fiscal e de um forte na Fonte da Pipa, também de alguma valia militar; estalagens e cocheiras (hoje casas de comércio).

A maioria da sua população era composta por calafates, barqueiros, tanoeiros, conserveiros, corticeiros e outros, que garantiam a sua actividade profissional nas várias oficinas de tanoaria, fábricas de cortiça, de conservas de peixe e de algodões, alguns armazéns de azeite e de vinhos e de mercearias. Existiu na Rua das Terras (Rua Carvalho Freirinha) uma Cooperativa de Consumo.

Cacilhas beneficiou do primeiro Hospital (conhecido pelo dos ingleses), do concelho de Almada, conhecido pelo dos ingleses, fundado no ano de 1793.

A povoação de origem medieval que, possivelmente, começou a ser povoada depois da conquista do Castelo de Almada pelas armas cristãs, logo após a tomada de Lisboa, é local muito conhecido pelos seus típicos restaurantes do Ginjal, junto ao rio Tejo, de cujo Largo, com intenso tráfego de camionagem, partem passageiros para todo o resto do sul do País. Dali saem, constantemente, carreiras, com passageiros, que fazem a ligação com Lisboa, em barcos de modernas condições de segurança, a substituir os antigos vapores de rodas “Alcântara”, “Belém”, “Frederico Guilherme”, “Lusitano”, “Pescador”, “Popular”, “Renascença”, etc., e mais tarde, o “Atalaya”. Havia o “Victória”, movido a hélices. Contando, de há muito, com os estaleiros navais H. Parry & Sons, SARL., há, agora, os da Lisnave, SARL., estes considerados os melhores da Europa.

Resumindo:
Cacilhas tem: uma Corporação de Bombeiros, que é a mais antiga do país.
A Igreja de Nª. Sra. do Bom Sucesso, a lembrar o terramoto de 1755, construída no local onde se erguia a Ermida de Santa Luzia, que foi antigamente Hospital de Lázaros.
O Ginásio Clube do Sul, o primeiro grupo desportivo deste concelho.
E, ao que nos é dado saber, a primeira Banda filarmónica que existiu antes da Incrível Almadense e, por último, uma Tuna.

15/10/16

António Henriques e a História de Cacilhas (4)


Situação Geográfica:

Localiza-se na vertente norte duma pequena colina que, do Monte de Caparica, segue a montante, a margem sul do Rio Tejo e vai morrer no Mar da Palha, onde hoje se encontra a Lisnave; essa mesma colina, passa por detrás de Cacilhas, entre ela mesma e a vila de Almada e a Cova da Piedade. Cacilhas, voltada para o rio e por ele, ligada a Lisboa, separou-se dos centros da vila e da Cova da Piedade, adquirindo, pela sua situação geográfica, e por outros factores, uma autonomia peculiar.

Situada, portanto, geograficamente, na vertente norte da colina, o seu pendor natural leva, deste lado, os cacilhenses a atravessar o rio e a ligarem-se directamente a Lisboa e a actividades relacionadas com a faina do Rio; por outro lado, atrai visitantes da outra margem, alguns ilustres, como, por exemplo, D.Pedro I (1320-1367), que sentia imenso prazer em atravessar o rio e desembarcar no Cais de Cacilhas. Instalava-se onde hoje é o quartel da Guarda-Fiscal, onde se divertia com os seus amigos.

Cacilhas, cuja área abrangia uma parte da Rua Bernardo Francisco da Costa, a Praça Gil Vicente até ao Cais de Embarque de Cacilhas, incluindo parte da Av. do M.F.A., incluindo a Margueira, Av. 25 de Abril, Rua Comandante. António Feio, Largo dos Bombeiros, Rua Cândido dos Reis, Rua Elias Garcia, Rua Carvalho Freirinha, com todas as suas travessas e ainda os sítios do Ginjal, Olho-de-Boi, Fonte da Pipa, cujas águas das suas bicas se tornaram célebres pelas curas que diziam operar, é a sala de visitas de Almada e não só.

01/10/16

António Henriques e a História de Cacilhas (3)


O Povo de Cacilhas

Cacilhas, povoação a sul do Tejo, que pertence ao concelho de Almada, caracteriza-se, desde muito cedo, por uma certa autonomia em relação às povoações circunvizinhas, sobretudo Almada, dando mostras de espírito bairrista e enchendo-se de orgulho pelo pequeno centro do mundo que possui mesmo às portas de Lisboa, abençoado pela Senhora. do Bom Sucesso.


15/09/16

António Henriques e a História de Cacilhas (2)


O Milagre de Nossa Senhora do Bom Sucesso

O terramoto do dia 1 de Novembro de 1755 provocou um tal movimento nas águas do mar, que estas, invadindo em turbilhão o rio, inundaram as zonas ribeirinhas do Tejo. Em Cacilhas, a água do rio precipitou-se pelas ruas da povoação e o povo viveu horas amargas de terror e aflição.

Nessa angústia, um homem, levado pela sua fé na Virgem, pegou na pequena imagem de Nª. Sra. da capela do Bom Sucesso e, com ela, foi ao encontro das águas. Estas, conforme a Imagem se foi aproximando, recuaram, até que se precipitaram todas no rio. O povo, liberto do terror das águas viu nisso o grande milagre de Nª. Sra. do Bom Sucesso.

A partir daí, todos os anos, no dia 1 de Novembro, o povo de Cacilhas, agradecido pelo favor da Virgem, sai, em procissão, com a imagem de Nª. Senhora, percorrendo as ruas, parte das quais foram um dia, inundadas pelas águas. Levam a Senhora ao Rio e entram com ela no cais dos barcos cacilheiros. Aí, no cais, colocam a Senhora, por uns momentos, voltada para as águas do rio, como se ela, nesse momento, ordenasse ao Tejo, que não deixasse que as suas águas voltassem a subir à povoação de Cacilhas, como aconteceu em 1755.

01/09/16

António Henriques e a História de Cacilhas (1)


A Tradição

Segundo a tradição, havia em Cacilhas, duas capelas. Uma, pequena, de Nossa. Senhora. do Bom Sucesso, construída no Beco do Bom Sucesso e onde se encontrava a imagem da Virgem (ainda hoje existente nos anexos da igreja actual) feita em terracota e no estilo barroco, com 22 cm. de altura.

Outra capela, que alguns dizem ser chamada de Santa Luzia, edificada no lugar onde hoje está a igreja de Nª. Sra. do Bom Sucesso.

O terramoto de 1755 destruiu a pequena capela da Senhora existente no Beco do Bom Sucesso e arruinou a de Santa Luzia.

Depois do terramoto, a capela chamada de Santa Luzia foi reconstruída e a partir daí, dedicada a Nª. Sra. do Bom Sucesso, colocando-se no altar mor a imagem da Virgem, não a da capela pequena, agora destruída, mas uma maior.

07/08/16

O Aniversário de António Henriques


António Henriques nasceu em Cacilhas a 7 de Agosto de 1915 e naturalmente sempre teve um interesse especial pela sua Terra.

É por isso que iremos publicar  alguns dos textos que escreveu sobre a história de Cacilhas no blogue, a partir de Setembro.

Hoje, por ser uma data especial, publicamos a fotografia da casa (com os degraus) onde nasceu na então Rua da Oliveira, hoje rua Comandante António Feio...

07/08/15

O Dia em que António Henriques Nasceu...


António Henriques (D' Almeida) nasceu em Cacilhas, a 7 de Agosto de 1915, na então rua da Oliveira, filho de José Francisco, operário corticeiro, e de Emília Bárbara de Almeida, costureira.



12/06/15

A CACILHAS DE ANTÓNIO HENRIQUES



Foi em 1997, no lançamento do livro "Personalidades Cacilhenses" de Henrique Mota, que descobri que António Henriques era natural de Cacilhas.
O meu conhecimento do senhor António Henriques foi sempre distante, tendo como base referências feitas pelo autor, que o colocava na galeria dos notáveis associativistas e publicistas deste Concelho.
Sem dúvida que foi com a Incrível Almadense, que estabeleceu uma ligação que durou uma vida, que vinha pelo menos desde os seus dezassete anos, quando se estreou na banda, ate 1992 ano em que faleceu. Aos 16 anos iniciou a sua vida associativa como sócio do Sport Clube Bombense de Cacilhas, foi também dirigente do Almada A. Clube e da Associação de Socorros Mútuos 1ºde Dezembro.
Com o aparecimento da associação “O Farol", incentivou-se a procura de conhecimentos e memórias de Cacilhas. Carlos Guilherme, seu filho, também na sua qualidade de sócio de "O Farol" resolveu revelar-nos alguns dos seus inúmeros arquivos. Foi assim que tomámos contacto com a Cacilhas de António Henriques.

Abrimos a primeira página das suas recolhas e artigos, e começámos a ler:

Cacilhas, terra tão qu´rida
Que um dia me viste nascer
És o sol da minha vida
Jamais te posso esquecer

E iniciámos a viagem pelas memórias guardadas por este homem, numa estrada feita de informação e emoções.
Durante uma vida, em que efectivamente teve outros interesses principais, outras motivações, em que construiu uma obra concreta, não esqueceu a sua Cacilhas.
Percorremos o seu espólio, numa constante descoberta de imagens, de documentos, de ideias. Com uma paciência e arte extraordinárias, recolheu, recortou e colou emblemas associativos, escreveu textos, arquivou notícias, descreveu a vida das Instituições e das Gentes, relembrou as colectividades locais e os seus pares do associativismo e da cultura com uma dedicação insuperável.
No seu coração e nas suas pastas guardou para si, a sua Cacilhas querida, um legado que certamente quereria ver transmitido às gerações vindouras, para que alicerçadas na memória colectiva da sua terra, possam crescer mais cultas e mais instruídas.

Em consonância com o seu filho, a associação "O Farol" entende que estas mensagens devem chegar aos destinatários, ligando a forma artesanal e mágica com que esta memória foi construída, a uma divulgação que também passe pelas novas tecnologias informáticas e digitais, para que, de forma dinâmica, a obra possa também chegar a professores e estudantes, bem como ao público em geral, e continue viva e útil.

Henrique Costa Mota - Novembro de 2005
(in Boletim nº 2 de “O Pharol”)

09/06/15

António Henriques: Uma Breve Apresentação



António Henriques de Almeida nasceu em Cacilhas, a 7 de Agosto de 1915, na então rua de Oliveira, filho de José Francisco, operário corticeiro, e de Emília Bárbara de Almeida, costureira.

O encanto que sentia pela música levou-o, ainda criança, a entrar na “Sociedade Velha”, para ficar, sem imaginar que um dia viria a ser uma das figuras mais emblemáticas e respeitadas da Sociedade Filarmónica. Foi praticamente tudo na Incrível Almadense: músico, dirigente, actor, publicista, dramaturgo, museologista e por fim, historiador de Almada e das suas Colectividades.

Só quem conhece o seu espólio (dezenas de álbuns e pastas de documentos de reconhecido valor histórico) que está guardado no Museu da Cidade e na Incrível Almadense, poderá inteirar-se do labor, da dedicação e do amor que António Henriques ofereceu ao Concelho onde sempre viveu e à sua “Incrível” onde se fez homem e aprendeu a importância dos valores colectivos e da solidariedade, tão presentes nesta Terra de Operários, que tinha nas Colectividades o seu maior orgulho e a porta de quase todos os sonhos.

Por se comemorar em 2015 o centenário do seu nascimento, alguns “Incríveis” que continuam a reconhecer a sua extraordinária importância no seio do Movimento Associativo Almadense, acharam que o mínimo que poderiam fazer era organizar um programa de Comemorações, que não só avivasse a memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com António Henriques, mas que também desse a conhecer a todos os Almadenses, quem foi este Homem, único, na história da Incrível, do Movimento Associativo e do Concelho de Almada.


                                                                                              A Comissão Executiva